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Painel H&C
Revista H&C - Edição 110

Como se diferenciar no mercado de dermocosméticos

SEGUNDA-FEIRA, 22 DE OUTUBRO DE 2018

Consumidores esperam de qualquer produto, seja de qual setor for, que ele funcione. Essa pelo menos deve­ria ser a lógica, sempre. Mas em dermocosméticos essa exigência é ainda maior. Quem busca esse tipo de solução está atrás de eficiência, quer resultado positivo e verdadei­ro, ágil se possível. Além de aten­der a essas expectativas, empresas que atuam nesse segmento pos­suem outro desafio: um cenário de competitividade. Ou seja, o que fazer para se diferenciar?

Um dos caminhos promissores para alcançar êxito nesse mercado é investir em produtos inovadores que apresentem eficácia. Na opi­nião de Christiane Neves, gerente de negócios de personal care da Brenntag, é isso que cativa o con­sumidor. O produto que realmen­te seja eficaz, que cumpra aquilo que promete no rótulo. “Se é um antiacne que traz resultados em 15 dias, esse dermocosmético precisa entregar isso”, afirma.

Karina Teixeira, gerente de marke­ting da Lubrizol, complementa que para ser competitiva nesse mer­cado, a indústria deve trabalhar não só tecnologias, mas conceitos inovadores. “É preciso oferecer produtos eficazes que estejam ali­nhados com seus apelos, levando em consideração a textura e o sen­sorial”, ressalta.

Quem concorda com as especia­listas é Mônica Antunes Batistela, coordenadora de marketing do seg­mento de cosméticos na quantiQ. Para ela, além de investir em ino­vação, é recomendável considerar o uso de ingredientes naturais – uma tendência que já é realidade em todo setor de Higiene e Beleza e parece que veio para ficar.

Versatilidade e custo – A Brenn­tag traz inovações para dermocos­méticos, entre elas novidades em ativos biomiméticos, que apresen­tam a funcionalidade compatível com a pele. Um destaque da em­presa, segundo Christiane, é uma nova linha de ativos que está de­senvolvendo com a parceria da Inabata, empresa de tecnologia em ativos, de origem japonesa. Os itens podem ser aplicados em pro­dutos de tratamento facial e cor­poral. “Um exemplo é o Etioliftine, ativo antiage preventivo e curativo para a pele, que pode ser aplicado em cuidado facial, séruns e másca­ras de cuidado para a pele madura, entre outros”, diz.

A gerente ressalta ainda que um dos objetivos da distribuidora é trazer inovação com custo­-benefício atrativo, uma vez que o dermocosmético deve ser cada vez mais acessível a todos. “Para tanto, estamos trabalhando em produtos que são multifuncio­nais, com ação UV, antioxidante e hidratação, de forma que seja possível reduzir custos na formu­lação final”, afirma.

Microbiota e luz azul – A Lubri­zol segue passos similares. Karina Teixeira destaca que a empresa possui um portfólio amplo de ativos cosméticos e ingredientes funcionais que oferecem todos benefícios buscados pelos consu­midores e que atendem aos desa­fios enfrentados pelos formulado­res desse mercado. “Desde ativos dermocosméticos de origem bio­tecnológica, vegetal e peptídeos da linha Lipotec a matérias-primas utilizadas para construção de formulações que veicularão es­ses ativos, que contribuem com sensorial, textura e aparência dos produtos finais”, explica.

Um dos destaques da empresa neste ano é um heptapeptídeo que fortalece a ‘pele urbana’ vul­nerável, promovendo o equilíbrio da microbiota, da diversidade e do aumento de bactérias bené­ficas. “O ativo ajuda a reforçar a função de barreira física e micro­biana da pele e previne a desidra­tação”, diz Karina.

Mais um ingrediente que está sob holofotes é Lumicease blue, obti­do por biotecnologia a partir de um microrganismo resistente à radiação que ativa foto sensores epidérmicos, as opsinas, e prepara, protege e repara a pele dos danos provocados pela luz solar e azul artificial, ajudando a minimizar os principais sinais de ‘envelhecimen­to digital’ e foto envelhecimento.

Em 2018, a Lubrizol lançou uma campanha específica para der­mocosméticos e sua expectativa quanto ao mercado brasileiro é oti­mista. “Temos muito espaço para trabalhar nesse nicho, que é bus­cado não só pelos consumidores mais maduros, mas também pelos jovens”, diz Karina. A gerente diz que existe uma percepção de que consumidores brasileiros se sen­tem mais seguros em comprar pro­dutos que sejam indicados por es­pecialistas e buscar produtos com benefícios como proteção solar, hidratação, anti-idade, correção de manchas, desidratação, anti-acne e peles sensíveis.

Natural e tecnologia verde – Os naturais também marcam presen­ça intensa em dermocosméticos. Quem ilustra essa realidade é a quantiQ, que apresenta inovações em ativos franceses da Oléos, uma empresa do grupo Hallstar. A co­ordenadora de marketing Mônica Antunes explica que as estrelas desse time são os óleos-ativos obtidos por processo patenteado, totalmente green, eco-extraction com solventes vegetais, baixa energia de consumo, baixo im­pacto ambiental, sem produtos químicos, sem solventes não or­gânicos, e de acordo com a certi­ficação COSMOS.

A fração funcional dos óleos-obti­dos é extraída por meio de proces­so ultrassônico e micro-ondas. Os benefícios e claims que oferecem, segundo a executiva, formam uma lista extensa: estável, fácil para formular, não citototóxico, não fototóxico, não alergênico, não irritante, não oxidante, altamente concentrado, altamente seguro, al­tamente tolerante, vetorizado na­turalmente, natural, eco-designed, phtalate free, preservative free, GMO free, chemical & microbiolo­gical pollutant free, entre outros.

Mônica afirma que a expectativa de mercado é positiva. “Há bas­tante espaço de crescimento para médias e pequenas empresas fa­bricantes no Brasil, pois são ativos inovadores, altamente eficazes em baixas concentrações e possuem tecnologia verde, o que acaba agregando valores em formula­ções ‘premium’ para o mercado dermocosmético”, diz.

Por outro lado, a especialista des­taca, nota-se um crescimento em dermocosméticos taddsmbém pe­las categorias skincare e suncare estarem migrando e se comple­mentando. “Hoje é muito comum você ter um filtro solar anti-idade e uma base facial com FPS, por exemplo, as opções de produtos multifuncionais acabam movi­mentando a categoria.”

Ação e resultado – O consumi­dor espera ação e resultado práti­co, principalmente quando busca soluções dermocosméticas. E as empresas de matérias-primas vão atrás de novidades que atendam a essa demanda. Um exemplo vem de um ativo biomimético da Rahn, distribuído pela Cosmotec: o Myramaze, derivado do extrato de Myrothamnus flabellifolia, um arbusto pequeno e resistente pre­sente no ambiente desértico do sul da África.

Essa planta, segundo a empresa, é capaz de resistir às adversidades do seu ambiente e pode sobrevi­ver a longos períodos de seca em estado completamente desseca­do. Quando as primeiras gotas de chuva caem, ela passa por um processo de ‘ressurreição’ e fica verde novamente. Essas proprie­dades de ressurreição são basea­das na estabilização física – como a morfologia da folha e a com­posição da parede celular – e na adaptação metabólica.

O ativo dela extraído promete pro­teger as estruturas de membrana da desidratação e preservar o áci­do linoleico lipídico da pele contra a oxidação, fortalecendo a barreira cutânea, revitalizando e melhoran­do visivelmente a textura da pele. “De acordo com a fornecedora, uma aplicação única revigora a pele por mais de 48 horas. Com uso re­gular, o ativo promete efetivamen­te reviver, regenerar e fortalecer a pele danificada”, conta Vanessa Silva, coordenadora de tecnologia e inovação da Cosmotec.

Outro exemplo de eficiência vem da Basf. Vinicius Bim, gerente de inovação da empresa, destaca o lançamento deste ano Replexium, um complexo de biopeptídeos que age de maneira multiprolongada, atuando em três níveis da pele – melhorando a firmeza e diminuin­do desde linhas finas até as rugas profundas, por meio do aumento da densidade da pele.

Em um teste comparativo, a utili­zação de Replexium em uma for­mulação durante 21 dias recupe­rou a firmeza da pele de maneira comparável a uma pele sete anos mais jovem. O item, segundo o executivo, pode ser usado em diversas formas de produtos para o cuidado com a pele, como cremes, géis-cremes e loções, assim como em um pré-primer.

Enfim, para se diferenciar nesse mercado as fabricantes podem conhecer o que fornecedores e distribuidores têm a oferecer e também ficar de olho nos hábi­tos e exigências do consumidor. Na opinião de Leonardo Lima, da área de marketing da Merck – empresa que também apresenta diversas soluções para dermocos­méticos – a diferenciação vem da percepção das tendências de mer­cado pelas empresas fabricantes de cosméticos. “Quem consegue prever o que o mercado demanda sai na frente”, diz.

Segundo o executivo, uma forte tendência em dermocosméticos hoje são os produtos que favo­recem o balanço do microbioma da pele. “Estão presentes na su­perfície da pele uma infinidade de microorganismos e seu equilíbrio afeta a saúde do indivíduo. Diver­sos estudos mostram a capacida­de de se ter uma pele saudável através de mecanismos de con­trole desses microorganismos. É uma tendência que começou em mercados como Europa e Estados Unidos e já vem migrando para o Brasil”, finaliza.

 

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