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Painel H&C
Revista H&C - Edição 104

IoT é realidade no setor cosmético e de limpeza

QUINTA-FEIRA, 28 DE SETEMBRO DE 2017

A escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) tem um programa de educação continua­da sobre Internet of Things (IoT), ou Internet das Coisas (IoT), como falamos aqui no Brasil. Segundo a instituição, trata-se de um MBA, cujo objetivo é ‘propiciar uma vi­são ampla da tecnologia que es­tará presente no fim da década (2020) e irá influenciar as tarefas cotidianas, trazendo mais bem­-estar às pessoas, antecipando, alertando, diagnosticando e re­solvendo problemas reais do dia a dia, com rapidez e economia – além de proporcionar eficiência nos processos industriais, de ser­viços e de governo’. Esse é apenas um caminho, confiável, para sacar que estamos diante de um tema bastante relevante, que também envolve o nosso setor.

Diversas instituições e empre­sas, e até mesmo alguns eventos importantes mundo afora, já co­locaram em suas pautas os assun­tos relacionados às tecnologias que convergem, que integram equipamentos e produtos para proporcionar melhorias na rotina das pessoas. Há uma estimativa de que até 2020 o planeta conte com mais de 30 bilhões de dispo­sitivos trabalhando sob conceitos de IoT, saltando para 75 bilhões cinco anos depois. Tem uma bai­ta oportunidade nesse sentido, é preciso incluir o tema no dia a dia.

Mas será que é possível pen­sar esse universo da tecnologia relativo ao tema Internet das Coi­sas nos setores de Higiene e Be­leza e Limpeza? Flavio Maeda diz que sim. Engenheiro mecatrônico e empreendedor na área de TI e internet, ele é o presidente da Associação Brasileira de Internet das Coisas (Abinc).

“A Internet das Coisas per­mite que as marcas personalizem seu alcance para os clientes, para enriquecer a experiência do usu­ário. Com permissão, as marcas podem acompanhar e analisar o uso do consumidor e transmitir essas informações valiosas sobre o comportamento dele de volta à organização”, afirma.

Para a empresa colecionar es­sas informações, Maeda ressalta que os usuários precisam ser en­corajados a compartilhar seus dados e a compreenderem comple­tamente os benefícios de se fazer isso. “Exige que as marcas agre­guem valor ao compartilhamen­to de dados e expliquem que, ao fazê-lo, estão agregando valor à experiência das pessoas, algo que não é apenas para fins comerciais ou de marketing”, completa.

Recursos aliados – O presidente da Abinc cita alguns exemplos de mercado que traduzem como é possível trazer a Internet das Coi­sas ao setor cosmético. “A Dior criou Dior Skin Analyzer (em 2016), um produto de beleza conectado que é capaz de examinar a pele em segundos para revelar o produ­to ideal para cada tipo de pessoa. A L’Oréal desenvolveu o Makeup Genius, o aplicativo usa algoritmos para produzir renderização realista de cores em tempo real, usando apenas uma câmera iPhone.”

Com uma câmera de altíssi­ma definição, o Analyzer, ao ser encostado na pele do rosto, deter­mina, em apenas oito segundos, o grau de hidratação, resistência, brilho e homogeneidade do tom. “Através da foto e de algoritmos do programa, conseguimos ir além da aparência e saber o que está havendo dentro da pele”, disse Édouard Mauvais-Jarvis, diretor de comunicação científica da Dior, à reportagem de O Globo, em mea­dos do ano passado.

Já o aplicativo encomendado pela L’Oréal – lançado também em 2016 – permite que consumi­dores digitalizem as suas próprias características, naveguem por um catálogo e virtualmente apliquem a maquiagem antes de efetuar a compra. Eles também podem di­gitalizar os códigos de barra dos produtos dentro da loja para os testarem com o app e, entre ou­tras possibilidades, compartilhar seus itens preferidos com amigos em redes sociais.

O presidente da Abinc ressal­ta que a oportunidade no setor de Higiene e Beleza está no fato de as empresas buscarem formas e tecnologias para entregarem cada vez mais recursos aliados à beleza e, sobretudo, provocarem experiências novas para os consu­midores. Unindo aparelhos do dia a dia aos produtos e suas funcio­nalidades, como os aplicativos de celular, entre outros.

Limpeza – Flavio Maeda diz que o setor de limpeza também pode se beneficiar com tecnologias que integram devices, softwares e pro­dutos. As empresas prestadoras de serviço, de limpeza profissio­nal, ilustram o caso. “Elas usam como base um sistema rotineiro baseado em cronograma, mas, com sensores ajudando-as a ras­trear os padrões de uso, é possí­vel descobrir como economizar, ajustando a rotina de limpeza de acordo com as situações.”

Maeda cita a Wash Laundry, empresa norte-americana que for­nece máquinas lava-roupas que operam com moedas ou cards em diversos tipos de estabelecimentos ou residências. “Eles perceberam que ao conectar suas máquinas à internet poderiam coletar e ana­lisar dados sobre preço e uso da máquina, o que permitiria à em­presa ajustar os preços em tempo quase real. Quanto mais tráfego, mais eles cobram pelo equipamen­to. Durante períodos de tráfego mais leves, eles reduzem os custos para capturar mais clientes”, diz. Essa iniciativa também pode fun­cionar em conjunto com fabricante de produtos. Por que não?

 

Industrial – Maeda destaca tam­bém que uma empresa de lim­peza industrial instalou sensores para rastrear a frequência de uso de banheiros em seus clientes. Segundo ele, a cada vez que um dispensador de sabão é usado, o sensor envia um sinal por conexão sem fio para uma plataforma na nuvem que armazena o momento exato do uso. “Isso permite que a empresa monitore a utilização do produto e o tráfego dos banheiros em tempo real, melhorando a efi­ciência da prestação dos serviços, principalmente em momentos de pico de uso, e o reabastecimento dos produtos de limpeza em seus clientes”, diz.

 

O especialista ressalta que muitas das empresas do setor de limpeza industrial atuam em mo­delos de negócios baseados em serviços. Maeda conta que iniciou a sua atuação profissional na Le­ver Industrial – que pertencia ao Grupo Unilever nos anos 90, e depois virou DiverseyLever, após a fusão com a Diversey Canaden­se –, a qual já adotava esses mo­delos. “Neles, ativos caros, como dispensadores automáticos de pro­dutos químicos em lavanderias e cozinhas industriais e hospitalares, equipamentos de limpeza de piso, equipamentos de limpeza de insta­lações industriais, para o chamado processo CIP – Clean In Place, são disponibilizados em comodato por meio de contratos de aquisição de produtos químicos”, diz.

Ao conectar esses ativos por meio de tecnologias de Internet das Coisas, explica Maeda, as em­presas podem fiscalizar a seu uso real. “Podem monitorar se estão realmente sendo abastecidos com seus produtos, detectar falhas dos equipamentos de forma antecipa­da e os clientes, por sua vez, po­dem ter acesso a dados valiosos sobre suas operações de limpeza e higienização industrial para oti­mizá-los e obter ganhos operacio­nais”, explica.

 

 

 

 

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