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Painel H&C
Revista H&C - Edição 101

Inovação pauta o mercado de repelentes

QUINTA-FEIRA, 11 DE MAIO DE 2017

O consumidor brasileiro está preocupado sim com a prevenção de doenças transmitidas por mosquitos, como o Aedes. Problemas sérios e que trazem riscos grandes às pesso­as, como dengue, chikungunya e zika, contribuem para o aumento de vendas de inseticidas e repelen­tes. Segundo a consultoria Kantar Wordpanel, a penetração dos inse­ticidas cresceu em todas as classes sociais e está em ascensão desde 2012. A empresa informa que só os repelentes ganharam cerca de 800 mil lares compradores em 2016 (a penetração é o principal driver de crescimento), porém per­deram frequência de compra e vo­lume por viagem.

O levantamento aponta tam­bém que 24% dos lares compra­dores de inseticidas em 2016 não haviam adquirido o item em 2015 e 2014. No caso dos repelentes, o número vai a 75% dos domicílios. De acordo com os dados, os inseti­cidas possuem alta taxa de repeti­dores, com cerca de 67% dos con­sumidores comprando o produto em 2015 e 2016. Categoria menos consolidada segundo a empresa de pesquisa, os repelentes regis­traram apenas 20% de repetição no mesmo período.

Segundo dados recentes da Nielsen, as vendas de repelentes em 2016, comparando com o ano anterior, cresceram 84% em fa­turamento e 49% em volume de vendas no mercado brasileiro.

As regiões com maior representati­vidade foram a Nordeste e Leste (que compreendem Minas Gerais, Espírito Santo e o interior do Rio de Janeiro), onde o volume au­mentou 97% e 94,8%, respecti­vamente (veja mais números na página anterior).

 

Indústria – Fabricantes de pro­dutos repelentes movimentaram­-se perante às oportunidades de negócios e, sobretudo, diante da demanda por proteção à saúde do consumidor. Foram em busca de novidades, incluindo matérias-pri­mas que oferecessem ainda mais eficácia e segurança. Foi divulgado recentemente que as vendas de marcas como Exposis (linha pre­mium com foco no canal farma), que até o início de 2016 era o úni­co repelente do mercado brasileiro com a substância icaridina (de mais longa duração), aumentaram em até 30 vezes em um ano.

Com a ajuda da literatura médica e apoio das mais impor­tantes indústrias farmacêuticas do mundo, o Laboratoire Osler escolheu a icaridina para desen­volver o Exposis – segundo expli­ca a marca em seu site. A empre­sa ressalta que o princípio ativo de longa duração repele todos os insetos transmissores de doenças como dengue, zika vírus, chikun­gunya, malária, leishmaniose e febre amarela, entre outras.

Sem componente tóxico, a icaridina não causa irritação na pele e pode ser usada em crian­ças a partir de dois anos na ver­são spray e em crianças a partir de seis meses na versão gel, de acordo com a marca. Fabricado na Alemanha, a segurança do princípio ativo acontece por conta da baixa absorção do organismo, informa a empresa. Em dezembro de 2016, a SC Johnson, dona das marcas OFF! e Raid, ingressou no segmento de repelentes a base de icaridina com a compra do labora­tório de origem francesa Osler do Brasil, fabricante do Exposis.

 

Hidratação e 2 em 1

Outras marcas investem também em repelentes principalmente na época que precede o verão. Uma delas é a Pharmapele, que lançou um repelente manipulado cujo apelo é voltado ao uso por grávidas e bebês. “O uso de repelentes que ofereçam tempo maior de proteção, como os formulados com IR 3535 em alta concentração, é uma importante forma de evitar doenças causadas pelo Aedes aegypti. O ativo é seguro e pode ser usado por gestantes, bebês a partir de seis meses, crianças e idosos”, afirma Luisa Saldanha, diretora técnica da marca. Segundo ela, quanto maior a dose, maior a eficácia e duração de proteção do repelente. No entanto, produtos formulados com DEET e Icaridina tem perfil toxicológico mais alto e, apesar de ter uso seguro para grávidas, não podem ser usados por crianças menores de dois anos, segundo a especialista.

O Gel Repelente da Pharmapele conta com o IR 3535 a 20%, que tem uma estrutura química baseada na substância natural beta-alanina e, devido à alta concentração e à associação com outros ativos, apresenta diferenciais importantes quando comparado a alguns repelentes do mercado, de acordo com a empresa. “Ele hidrata a pele, ao invés de ressecar; sua durabilidade é de sete horas, enquanto as opções de mercado duram em torno de duas horas; tem eficácia comprovada contra diversos tipos de mosquitos; tem excelentes características toxicológicas, tendo uso seguro para qualquer pessoa, inclusive bebês a partir de seis meses”, diz a diretora. Seu uso também promete afastar carrapatos, moscas e abelhas. A ação de hidratação ocorre em virtude da presença de ingredientes como peptídeos da proteína do trigo, derivados do açúcar, silicone especial e glicerina.

Já a Nutriex, indústria cosmecêutica, desenvolveu recentemente o Solar Gold Protetor Solar Repelente, protetor solar com repelente. Segundo a empresa, a solução é inovadora e pioneira.


 

Presença completa – Perante o cenário atual, em relação aos pe­rigos causados pelos mosquitos, a SC Johnson está se movimentan­do. “O bem-estar e a saúde das fa­mílias que consomem nossos pro­dutos é muito importante. Desde a proliferação do Aedes aegypti, que gerou um surto de zika no fi­nal 2015, a empresa tem se empe­nhado proativamente para ajudar a atender às necessidades do con­sumidor brasileiro, inclusive por meio do aumento da produção e trabalhando para atender às possí­veis demandas extras que possam surgir além das previsões atuais”, diz Stephane Reverdy, francês pre­sidente da SC Johnson no Brasil.

 O executivo afirma que uma das preocupações da empresa tem sido garantir o abastecimen­to e uma distribuição efetiva de repelentes em todo o País. “E em momentos de surtos de doenças, costumamos mobilizar pessoas e recursos rapidamente, como fize­mos no Brasil durante o surto de zika no fim de 2015, quando au­mentamos a produção em nossa fábrica de Manaus para 24 horas por dia, sete dias por semana e não alteramos os preços em ne­nhum momento”, afirma.

O executivo destaca ainda que a fabricante realiza parcerias com ONGs para compartilhar sua exper­tise de mais de 60 anos de pesqui­sas e estudos de insetos, e garantir que a empresa inspire e ensine a to­dos como se protegerem dos mos­quitos. Estar presente o máximo possível também é uma estratégia positiva, para os negócios e para a saúde coletiva. Reverdy ressalta uma iniciativa da SC Johnson que exemplifica o assunto.

 “OFF! foi o repelente oficial dos Jogos Olímpicos e Paralímpi­cos Rio 2016. À época, 115 mil unidades foram distribuídas para atletas, suas equipes e voluntários, e a SC Johnson também distribuiu 200 mil amostras ao público. Tam­bém durante os Jogos Olímpicos, a empresa doou 50.000 unidades de repelentes pessoais para seis ONGs localizadas nas cidades que sedia­ram partidas de futebol durante os jogos para ajudar famílias ne­cessitadas a se protegerem contra picadas de mosquitos que podem transmitir doenças”, afirma.

No início do semestre passa­do, a fabricante apresentou uma novidade em sua linha: o OFF! Longa Duração, com 25% de DEET. O item promete aos consu­midores até oito horas de proteção contra mosqui­tos. Sua fórmula também proporciona toque seco, deixando uma sensação de pele lisa e seca, se­gundo a fabricante

 

Pesquisa e inovação: ativos naturais

Pequenas empresas paulistas desenvolverão, com apoio da Fapesp e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), repelentes à base de novos compostos naturais. “Já vínhamos desenvolvendo o produto, independente de a nossa proposta ser selecionada (em janeiro), mas, agora, com esses recursos, o desenvolvimento deverá ser muito mais rápido”, diz Bruno de Arruda Carillo, diretor da DC Química. A empresa pretende viabilizar a aplicação do ramnolipídeo – um composto produzido por bactérias, como as Pseudomonas aeruginosa – como repelente.

A substância já era conhecida como um biossurfactante. Nos últimos anos, contudo, começaram a surgir estudos relatando que a molécula também demonstra ter ação larvicida e repelente. “Estimamos que em até dois anos consigamos disponibilizar amostras para empresas interessadas a fim de viabilizar a produção de repelentes à base desse composto”, afirma Carillo. Um dos maiores desafios para o uso do ramnolipídeo como repelente, de acordo com o pesquisador, é fazer com que apresente ação de repelência pelo mesmo período que as matérias-primas convencionais.

Já a Nanomed, uma spin-off (empresa de base tecnológica) surgida na USP, pretende fazer com que o óleo essencial do cravo-da-índia (Eugenia caryophyllata) tenha ação de repelência de oito horas. Para isso, os pesquisadores da empresa pretendem encapsular a molécula em partículas na escala nanométrica (da bilionésima parte do metro) para que a sua liberação seja controlada. Dessa forma, será possível assegurar a atividade de repelência por oito horas, o que não é possível hoje por meio das formulações convencionais. “O óleo essencial do cravo-da-índia é uma substância muito volátil e por isso não dura muito tempo em condições normais de temperatura”, explica Amanda Luizetto dos Santos, diretora da Nanomed. A empresa pretende encapsular o composto natural em nanopartículas que romperiam gradativamente, liberando o produto de forma controlada e modulada.

 

Quem é melhor? – As matérias-primas mais usadas atualmente pos­suem eficácia similar, se­gundo a SC Johnson. O presidente da empresa afirma que DEET (N,N­-diethyl-meta-toluamide) e Icaridina (Hydroxyethyl isobutyl piperidine car­boxylate) são substân­cias usadas nas fórmulas dos repelentes e ambos os princípios ativos são eficazes na proteção contra os mosquitos. “Quando usados com a mesma concentração, eles têm aproximadamente a mesma efi­cácia, ou seja, um produto com duas horas de proteção com DEET e outro com duas horas de proteção com Icaridina mui­to provavelmente terão a mesma eficácia por duas horas”, diz.

Por outro lado, acrescenta o executivo, um repelente com uma maior concentração de um princípio ativo, seja Icaridina ou DEET, surtirá efeito por mais tempo. Stephane Reverdy explica ainda que DEET e Icaridina afetam os receptores de odor que os mosquitos usam para detectar produtos químicos como o dióxido de carbono que expiramos e ácido lático na nossa pele. “DEET e Icaridina formam uma barreira de vapor na superfície da pele que dissuade os insetos, incluindo mosquitos fêmeas adultos, que são os que picam.”

Concorrência – Em dezem­bro passado, a Reckitt Benckiser (RB) aumentou o leque de opções para o con­sumidor nas gôndolas brasileiras. A fabricante lançou SBP Repelente Advanced com Icaridina. “O objetivo é ampliar a oferta com o novo repe­lente à base de icaridina, princípio ativo de última geração, a preços mais acessíveis à população”, disse no lançamento Thiago Icassati, diretor de marketing da RB Bra­sil. “Estamos investindo em campanhas e ações educativas em todo o território nacional para disseminar a informação e conscientizar o consu­midor sobre as medidas de prevenção no com­bate ao Aedes aegypti“, completou o executivo. A linha foi lançada com três versões: gel, spray e spray kids.

Segundo a RB, as fórmulas desses produtos com Icaridina oferecem proteção que dura duas vezes mais, comparando com re­pelente à base de DEET do mesmo fabricante. “SBP Repelente Advan­ced com Icaridina é uma solução avançada e eficaz contra as pica­das do mosquito Aedes aegypti e as doenças que ele transmite como zika, dengue e chikungunya. Além disso, o novo produto tem cinco horas de duração. Já Repelex (mar­ca também da RB) tem como prin­cípio ativo o DEET, também eficaz contra o Aedes aegypti. Os pro­dutos Aero e Spray da marca têm quatro horas de duração e a Loção e Kids, três horas”, diz Loic Lelann, gerente de marketing da RB para repelentes e inseticidas.

“SBP e Repelex fazem parte do portfólio da Reckitt Benckiser para controle e prevenção contra insetos dentro e fora de casa, seg­mento no qual a companhia possui longa tradição e reconhecimento no Brasil – são mais de 40 anos produzindo e comercializando so­luções para a segurança de toda a família. Com inseticidas e repelen­tes de ambiente em múltiplos for­matos e versões, a marca atende a diferentes expectativas e experiên­cias do consumidor, ocupando po­sição de grande destaque em suas categorias de mercado”, afirma.

Lelann destaca ainda os recen­tes resultados de negócios desse mercado. “O segmento de repe­lentes cresceu 207% na última temporada na capital paulista e na grande São Paulo (Out’14 a Mar’15 vs. Out’15 a Mar’16 - Nielsen)”, diz. No interior do Estado, o cresci­mento foi de 101% no mesmo pe­ríodo. Considerando o Estado todo, o incremento fica em 133%, e no Brasil, 169%. Ou seja, os números mostram que a população está bus­cando soluções e que as fabricantes estão atentas para atendê-la, com foco em inovação.

 

 

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