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Painel H&C
Revista H&C - Edição 101

Diferenciação ganha relevância em perfumes

QUARTA-FEIRA, 10 DE MAIO DE 2017

O Brasil é a menina dos olhos quando o assunto é o mercado de perfu­mes. Apesar da crise econômica pela qual o País passa de dois anos para cá, os consumidores brasilei­ros não querem abrir mão de suas conquistas recentes. E, por isso, a categoria de fragrâncias se mos­tra bastante promissora. Essa é a opinião de Marc Jourdan-Gassin, vice-presidente de perfumaria da Firmenich na América Latina.

O executivo destaca que mui­tos brasileiros tiveram acesso à perfumaria internacional nos úl­timos anos, inclusive parcelando as suas compras em até 10,12 vezes, o que os fez conhecer e ex­perimentar marcas internacionais. “Isso fez com que os consumido­res se tornassem cada vez mais exigentes”, afirma Marc.

Com isso, a resposta das mar­cas nacionais de perfumaria (líde­res de mercado no Brasil), segundo o especialista, foi se reposicionar e investir em mais qualidade desde a idealização do conceito, experi­ência de compra, treinamento da força de vendas e perfumação.

 

Super promissor – Marc Jourdan­-Gassin diz que a grande tendên­cia desse momento é a ‘premiu­mização’. De acordo com o VP, os últimos lançamentos dos fabri­cantes nacionais se posicionaram nas faixas de preço mais altas do mercado. “Ou seja, a tendência é trazer o refinamento das marcas internacionais de perfumaria ‘à la Brasil’, adaptando e atendendo ao clima e gosto dos brasileiros”, explica. O executivo da Firmeni­ch alerta que há muito tempo o Brasil vem se distanciando de ins­pirações de marcas internacionais, mas que agora é a hora de refor­çar a sua assinatura olfativa, “tra­zendo o melhor da herança inter­nacional com o melhor do DNA olfativo brasileiro”.

Na linha da premiumização e busca da sofisticação, ele ressalta que a dimensão de frescor vem sendo reinventada no País. “Até vemos madeiras sendo exploradas de forma mais ‘brasileira’, com­binadas a frutas ou a uma certa transparência fresca, típicas de nossa tropicalidade.” Para Marc, o segredo está em combinar har­moniosamente ingredientes que reflitam a “fórmula mágica da es­sência brasileira”, ou seja, “que transmitam frescor, naturalidade, sensualidade e conforto”.

Outra tendência apontada por Marc é a estratégia de mul­ticanal. Ou seja, o mercado pre­sencia marcas de vendas diretas investindo em lojas de varejo e também o contrário, marcas ori­ginalmente de varejo apostando no ramo das vendas diretas. “Há também um forte investimento em e-commerce e digital para atrair consumidores cada vez mais conectados, além de apri­morar o conteúdo e comunicação com o público”, completa. 

 

Entre os tops – Como parte das principais tendências citadas pela Firmenich, evidenciam-se também a hipersensorialidade e a democra­tização. A primeira refere-se à ne­cessidade que o consumidor tem de estimular todos os sentidos de forma mais intensa. “Por isso, as marcas estão explorando suas cam­panhas por meio de interações ex­perienciais, incluindo toque, cheiro, visual, som, etc., desde a indústria automotiva até a moda, cosméticos e perfumaria”, diz Marc.

Quanto à segunda tendên­cia, Marc explica que esse aspec­to está relacionado à uma forte linha ditada pelas marcas inter­nacionais que são os perfumes genderless, ou seja, perfumes que promovem a democratização das famílias olfativas entre os gê­neros. “O passo que a perfumaria unissex pode vir a dar é oferecer propostas disruptivas para ambos os gêneros, sobrepondo as con­venções estabelecidas. A ideia é ousar e inovar. Por que não florais ou notas mais adocicadas para homens ou madeiras para mulhe­res?”, sugere o especialista.

Fernanda Soro, nova gerente de marketing da Sensient na Amé­rica Latina, chancela esse posicio­namento. “Acreditamos muito na evolução da perfumaria gender­less.” Segundo a executiva, esse movimento começou em 1994 com a Calvin Klein e vem toman­do corpo, pouco a pouco através dos anos, “quando marcas impor­tantes como Jo Malone começam a aderir”. “Hoje, até estrelas da ‘perfumaria de nicho’ estão se ren­dendo à tendência, como a Creed e Hermès”, afirma.

 

Em casa – Mais um ponto relevan­te quando se pensa no consumidor brasileiro é considerar a estação do ano, o período do dia e a ocasião em que ele usará o perfume, isso segundo Natalia Mendes, gesto­ra de marketing da Vollmens. “No caso das mulheres, a roupa tam­bém é um fator de influência na es­colha do perfume”, diz. De acordo com a executiva, para o povo brasi­leiro o perfume simboliza a higiene, a beleza, a limpeza e até mesmo a sedução. “Essa relação mais do que íntima faz com que o País seja um dos maiores consumidores de per­fumes do mundo.”

Natalia destaca que as fragrân­cias frescas e florais são sempre bem-vindas para perfumar os dias mais quentes. “Já o calor sedutor dos orientais e gourmand também lideram o gosto dos brasileiros”, acrescenta. Para os próximos anos, segundo a especialista, os perfu­mes chipres virão como uma forte tendência para o mercado brasilei­ro. “Modernos, sofisticados e com um toque gourmand os perfumes da família chipre são marcantes, e o mais importante: duradouros, que­sito de grande importância para os brasileiros”, alerta.

A gestora aponta a volta do chipre como tendência principal para este ano. “Podemos notar nos lançamentos dos perfumes Luna de Natura, Elysee do Boticá­rio e a linha Condessa da Avatim.” A rosa também é um ingrediente que veio como destaque no ano passado e continua iluminando as criações florais, segundo Natalia. “Como o perfume Esta Flor Rosa da Natura.” Outro ingrediente for­te será a flor de laranjeira. “Tere­mos belas criações com o conforto cítrico desta flor”, revela.

 

Pelo mundo – Olhando para o mercado global, Natalia Mendes afirma que a exclusividade das marcas de nicho é uma tendência que vem crescendo muito de uns anos para cá e está diretamente associada à busca dos consumido­res por produtos personalizados. Segundo a profissional da Voll­mens, as fragrâncias sem gênero também crescem com força total e acompanham uma tendência glo­bal sobre a identidade sexual e sua influência no consumo.“Homens e mulheres compartilham produ­tos de beleza, roupas e claro, seus perfumes. Grandes marcas globais já fazem parte deste movimento, a Chanel lançou no ano passado o perfume Chanel Boy, que é o primeiro perfume sem gênero da marca”, afirma a executiva.

Uma curiosidade regional, citada por ela, é o ingrediente Agarwood, muito utilizado nos perfumes produzidos no oriente médio. Natalia conta que o óleo de Oud, como é chamado, é usado na medicina asiática e é um dos incensos mais apreciados – é dito que ‘vale mais do que seu peso em ouro’. “Esse ingrediente é uma iguaria na perfumaria e tem uma característica olfativa única, amadeirada forte e defumada, uma madeira seca complexa, misteriosa e intrigante”, afirma.

 

 

Verdes e naturais – O frescor é algo bastante almejado pelos con­sumidores, principalmente brasilei­ros. Fernanda Soro, da Sensient, afirma que por isso acontece o su­cesso dos body splashes, que têm baixa concentração de fragrância, de 3% a 5%, e que “já fazem par­te de um ritual hedônico pós-ba­nho”. “Seguindo esse caminho, acreditamos que as notas verdes, combinadas com florais cremosos, proporcionam a sensação de fres­cura, bem-estar e conforto. E essa é uma tendência que deve se man­ter ao longo dos anos”, diz.

A executiva também ressalta que a tendência de ingredientes naturais vem se fortalecendo, até pela percepção do consumidor de que os naturais são sinônimos de saúde e bem-estar. Porém, de acordo ela, é muito importante a preocupação com o meio am­biente, de forma que os naturais sejam extraídos de forma susten­tável. “Os consumidores estão bem vigilantes nessa questão. Por isso, cabe à indústria da perfuma­ria e às casas de fragrâncias inves­tirem cada vez mais em tecnolo­gias e alternativas que assegurem a sustentabilidade dos recursos do planeta”, diz.

Para o perfumista Fábio Na­varro, consultor que já atuou com grandes marcas de fragrâncias, “2017 será um ano de lança­mentos com a sensação de feel cleansing, sinta-se limpo, leve e natural”. “Depois de um ano tur­bulento, 2017 já começa trazendo muita energia e vibração. As fra­grâncias trazem composições mais naturais, menos complexas e mais confortáveis”, afirma.Segundo o profissional, o mote será trabalhar com um ingrediente inusitado, único e diferenciado, que será bem explorado não somen­te na estrutura do perfume, mas também no seu nome e campanha. “Matérias-primas como Oud, estru­turas como eau de cologne e notas florais verde continuarão a brilhar nos lançamentos e serão os queri­dos das pessoas”, prevê.

 

 

Bem-estar – A Capuani é mais uma empresa que está buscando inspirações em diversos temas para trazer novas notas, acordes ou sensações para os setores de per­fumaria e higiene pessoal. “Bus­camos criar coleções temáticas de acordo com as últimas tendências ou com solicitações frequentes de nossos clientes, como por exemplo o kit que lançamos durante nos­sa participação na In-Cosmetics 2016, em São Paulo, com compo­sições baseadas em elementos de bem-estar, para uma coleção de fragrâncias revigorantes que nos proporcionam sensações positi­vas, conexões com o tradicional e reencontros com a natureza”, diz Victor Tenório, responsável pelo marketing na empresa.

Segundo o executivo, mistu­rando a nostalgia de ingredientes de cuidados caseiros – como mel, camomila e erva-cidreira – com elementos que aparecem em die­tas da moda – como grapefruit e hibisco –, chegando ao lado ritua­lístico e de meditação, como o ló­tus e o olíbano, os perfumistas da empresa exploraram essa necessi­dade básica e cada vez mais urgen­te de “nos sentirmos serenos, rea­vivados e acolhidos”. “Eles criaram perfumes que nos remetem a esses ingredientes, sempre com um inu­sitado algo a mais”, afirma.

Renata Ashcar, autora do Guia de Perfumes, diz que os ingredien­tes da biodiversidade brasileira continuam em evidência. “Além da Natura, que tem a linha Ekos total­mente voltada para ingredientes e conceitos brasileiros, a L´Occitane Au Bresil também explora bastante toda essa biodiversidade. As prefe­rencias olfativas no Brasil seguem sendo as florais frutais e orientais gourmand para os perfumes femi­ninos e as aromáticas e amadeira­das para o masculino”, diz.

Não se pode deixar de no­tar, também ,a questão do orça­mento do consumidor, ressalta a especialista. “O brasileiro adora perfumes e mesmo com a crise que estamos vivenciando, não deixou de usar (o produto), mas passou a usar itens que se encai­xam no bolso”, diz. “Pudemos ver o boom nas vendas da perfu­maria da Hinode e aumento do consumo das águas/splash que são mais acessíveis”, acrescenta.

A tendência, na visão de Rena­ta, será desenvolver produtos com mais qualidade e acessíveis. “Sem dúvida, a personalização será cada vez mais importante neste seg­mento, ou seja, dar a percepção de que o perfume foi feito exclusi­vamente para você, seja através da mistura de perfumes, como faz a Jo Malone, ou pequenos detalhes que permitam a exclusividade.”

 

Competitividade – Uma caracte­rística de transformação do mer­cado brasileiro de perfumaria é a descentralização. Maurício Ca­rini, gerente de desenvolvimento de mercado da Aptar, comenta que começou a perceber esse fe­nômeno no ano passado. “Até então, o mercado doméstico era concentrado em três grandes players, mas, sobretudo em 2016, passou a contar com uma diver­sidade maior de pequenas e mé­dias empresas promovendo lança­mentos constantes de produtos e marcas”, afirma.

Também chama a atenção do executivo a grande quantidade de lançamentos em cada player, inde­pendentemente do tamanho, “al­mejando se destacar por meio da diferenciação”. “A concentração de lançamento nas quatro prin­cipais datas comemorativas per­manece a mesma: Dia das Mães, Dia dos Namorados, Dia dos Pais e Natal. No entanto, independente do período, o desejo das empre­sas é um só: diferenciação. Seja na gôndola ou no catálogo físico ou virtual, o visual diferenciado do produto tem sido a regra”, diz.

 

 

Embalagem – Carini diz que, de­vido ao momento de crise econô­mica, empresas estão optando por frascos, tampas e válvulas já exis­tentes, sem necessariamente en­comendar o desenvolvimento de novos designs. “Mesmo assim, a inovação vem marcando presença por meio da customização”, diz o gerente. “A embalagem pode ser standard, por exemplo, mas certa­mente vai contar com foco na dife­renciação”, completa.

Segundo Carini, para as em­presas e os consumidores brasi­leiros, a embalagem precisa ser a mais chamativa possível. “Essas são as fortes tendências no merca­do nacional de fragrância no que diz respeito à embalagem.”

 

 

 

 

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